Night of Ecstasy
|reblog 1,141 noteso universo não sabe como dói, essa coisa da gente não saber ao certo o que é e nem pra onde vai. e se sentir meio saturno, rodeado por tantos copos cheios e corações vazios. ou meio Vênus, circulando pela vida com movimentos rotacionais lentos onde nunca encontramos o caminho. talvez Júpiter, dotados de gigantescas dimensões, sem caber em lugar nenhum. o espaço sideral ainda é pouco pra nós. o mundo não sabe como é correr em círculos completamente desorientados, como é se afundar na gente e não achar mais a estrada de volta. não sabe como é perder o eixo e se encontrar preso no meio fio da nossa própria exaustão. nos afogamos nas correntezas de nós mesmos como quem não encontra a terra firme pra impulsionar o nado de volta pra superfície, onde dá pra respirar em paz e se livrar do peso da vida que nos empurra pra baixo, onde não dá pra alcançar o chão e nem voltar pra onde o sol acaricia o nosso rosto. porque enquanto a vida martela nossos corações pelos muros da cidade, o universo permanece intacto. e as cicatrizes das nossas colisões internas ainda sangram vez em quando, mas o tempo não para de correr e o mundo não sente o cansaço de ter que sobreviver aos terremotos sem cair ou mostrar o semblante machucado e entristecido. não importa o quanto a existência nos deixe em ponto de ebulição, ele não silencia pra gente sangrar a dor de ser.
nosso choro inunda a cidade, mas o universo não se afoga na gente.